22 de jan de 2012

Padre Sérgio / Otets Sergiy (1918)



por Luiz Santiago

          Yakov Protazanov integra a primeira geração dos diretores russos. Inicialmente realizador de filmes para o czar, Protazanov adotaria a causa soviética, e o exemplo máximo dessa mudança de ideologia refletida em sua obra é Aelita, a Rainha de Marte (1924), talvez o filme mais fraco de sua carreira, mas que deve ser valorizado como um documento  histórico sobre o período.

          Todavia, Protazanov assinou filmes notáveis e importantes para a história do cinema russo, dentre eles, Padre Sérgio (1918), a primeira adaptação da obra homônima de Leon Tolstói. Em pouco mais de uma hora, vemos a fidelíssima adaptação do diretor – exceto uma ou duas passagens ao final do filme – da história do Príncipe Kossotski, que abdicaria de seu brilhante futuro para se tornar padre, o Padre Sérgio do título.

          Não podemos nos esquecer que o filme traz o verniz característico de sua época histórica. Lançado um ano depois da Revolução Proletária (outubro de 1917), e no ano em que Lênin retira a Rússia da I Guerra Mundial, Padre Sérgio pode ser lido de diversas formas, seja como um louvor à personalidade política de Lênin e outros camaradas do partido, que sacrificavam-se para o bem do povo – pelo menos em tese – ou como um lamento pessimista à realidade do país, sofrendo em Guerra Civil.


          O filme traz muitas características incômodas do cinema mudo, como por exemplo, o encavalamento dos planos ou os olhares enviesados dos atores para a câmera. À parte esses elementos, Padre Sérgio configura-se uma ótima adaptação literária, louvavelmente fiel ao original (não que isso seja uma obrigatoriedade no cinema, ou que seja critério essencial para uma boa adaptação literária, todavia, não podemos deixar de citar quando isso acontece) e com um final surpreendentemente pessimista (tal como no livro), algo não muito comum para um filme da época.


PADRE SÉRGIO (Otets Sergiy, Rússia, 1918).
Direção: Yakov Protazanov
Roteiro: Alexandre Volkoff (baseado na obra de Leon Tolstói).
Duração: 1h15min.

FILME MUITO BOM. FORTEMENTE RECOMENDADO.



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