10 de jan de 2012

Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (2011)



por Adriano de Oliveira


          Brad Bird, diretor das premiadas animações Os Incríveis e Ratatouille, fez uma boa estreia em películas live-action com Missão: Impossível – Protocolo Fantasma, a se julgar a eficiência do entretenimento que conduziu. O filme tem um ritmo frenético, suspense competente (no que é muito ajudado pela trilha de Michael Giacchino) e uma ação física que exigiu bastante dos atores.
          Fica a pergunta de qual seria a marca pessoal de Bird nessa fita da série, considerando que os cineastas antecessores cravaram cada um suas características nos trabalhos que dirigiram: no primeiro, De Palma imprimiu seu suspense característico (porém de modo mais comercial, sem o habitual virtuosismo); no segundo, John Woo simplesmente conseguiu fazer um filme de autor – a seu estilo, é bom deixar claro – num exemplar de franquia, o que é algo louvável; e até no terceiro, J.J. Abrams carimbou sua grife, ao iniciar a projeção com uma cena apresentando uma situação-limite e fazendo da maior parte da obra um extenso flashback o qual mostrava como a trama havia chegado àquele ponto. Uma possível resposta é que Bird pode ser apontado como alguém que realizou um trabalho correto, atraente, e que, sobretudo na primeira metade do filme, primou pelo humor, inclusive parodiando elementos característicos dos exemplares anteriores.

          O elenco está muito bem, se observados os propósitos do longa. Tom Cruise segura a barra como o grande fio condutor da história que seu Ethan Hunt representa ao público. Simon Pegg rouba a cena várias vezes com seu simpático humor britânico. Paula Patton nunca esteve tão bela e se sai bem nas cenas de luta. Quando um momento classicamente mais dramático aparece, torna-se a vez de Jeremy Renner afirmar o grande ator que é (além de seu personagem constituir o elo entre o título anterior da série e este).

          Michael Nyqvist (de Os Homens Que Não Amavam as Mulheres) banca com sobras o vilão, e justamente é por conta de seu papel que o filme assume ares de uma aventura típica de James Bond. Afinal, um cientista que pirou, querendo reformular o planeta às custas de uma guerra nuclear e correndo atrás de códigos de lançamento de foguetes para fazer uma potência mundial agredir outra, parece algo bastante típico dos tradicionais antagonistas das histórias da franquia criada por Ian Fleming e conduzida por seus seguidores.


          O grande problema de Missão: Impossível – Protocolo Fantasma, sem contar alguns furos de roteiro e equívocos de continuidade, está em ser anticlimático. Pois, o epílogo passado em Mumbai se torna apagado depois das peripécias do agente Hunt e sua equipe em Dubai: esta, uma longa sequência de ação no meio do filme, que envolve uma escalada de Cruise  - sem uso de dublês, segundo o divulgado -  na torre mais alta do mundo, um maravilhoso “jogo de espelhos” envolvendo dois falsos encontros ao mesmo tempo num hotel e uma perseguição em meio a uma tempestade de areia.

          De toda forma, Protocolo Fantasma se acha acima da fraca média de filmes de ação recentes made in USA, cumprindo sua missão ao ir - embora não muito - para além do protocolar.

* Texto originalmente publicado no Cine Revista.

MISSÃO: IMPOSSÍVEL – PROTOCOLO FANTASMA (Mission: Impossible – Ghost Protocol, EUA, 2011)
Direção: Brad Bird.
Roteiro: Josh Appelbaum e André Nemec
Elenco principal: Tom Cruise, Jeremy Renner, Simon Pegg, Paula Patton, Michael Nyqvist, Léa Seydoux, Josh Holloway, Samuli Edelmann, Tom Wilkinson, Vladimir Mashkov.
Duração: 2h13min.

FILME BOM. RECOMENDAMOS ASSISTIR.



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