1 de dez de 2011

Edward Mãos-de-Tesoura (1990)



por Laura Reif


          No longametragem de 1990, o personagem criado por Tim Burton e estrelado por Johnny Depp, Edward, representa uma faceta fascinante dos telespectadores: sua sombra.

          Cada um de nós possui uma persona, definida por Jung como a máscara ou face que uma pessoa põe para confrontar o mundo, e possuímos também uma sombra. Essa sombra seria nosso lado que não aceitamos ou não nos sentimos confortáveis em colocar em evidência. Edward é a personificação dessa sombra, indo contra toda a cultura de massa. Nota-se grande influência do filme O Gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, na formação da personagem principal, da estrutura física do ambiente em que vive e também no fato de possuir um criador, um mestre. Cesare também era tratado com fascínio e horror pela sociedade.

          Edward Mãos-de-Tesoura tem início com uma mulher simpática, de um bairro localizado na periferia longe de situações caóticas urbanas, vendendo produtos de beleza da marca Avon, e acaba por bater na porta de Edward para tentar realizar uma venda. Na forma como as casas são construídas e pintadas podemos ver novamente a questão da máscara das pessoas e como a mansão em que vive Edward não possui esse tipo de artifício.

          Um aspecto curioso da questão social do filme é o de como as pessoas fascinam-se por Edward, oferecem-lhe ajuda referente ao seu problema com as mãos, apoiam-lhe a fama de ser especial, mas no final acabam renegando suas primeiras impressões. O ser humano não sente-se confortável longe de sua máscara: o anti-herói vira herói, perde sua posição, volta a ser rejeitado e a única forma de tranquilizar a massa é com a ideia de sua morte.

          O próprio longa em si, assim como tantos outros de Tim Burton, também sofre um fenômeno parecido com o da história. Pode-se notar que a maioria dos filmes do diretor, assim como seus poemas, não foram feitos com o intuito de agradar a massa, por possuírem aspectos críticos mais fortes e também mais sombrios. Acontece que a sociedade da informação acabou criando falsos críticos que conseguiram desenvolver um grau, por menor que seja, de noção do ridículo. Entende-se que gostar de certos filmes, músicas e livros pode lhe render certo prestígio, portanto as obras criadas com a intenção de confrontar a cultura de massa acabam se tornando parte dela. Poucos conseguem fazer uma análise crítica de filmes desde James e o Pêssego Gigante, passando por Peixe Grande, até Sweeney Todd, mas muitos entendem que são obras inteligentes e por mais que não possuam conhecimento suficiente para entendê-las, possuem destreza o bastante para querer fazer parte da parcela da população que as compreende e as aprecia genuinamente.



EDWARD MÃOS-DE-TESOURA (Edward Scissorhands, EUA, 1990).
Direção: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Winona Ryder, Dianne Wiest, Anthony Michael Hall, Kathy Baker, Robert Oliveri, Conchata Ferrell, Vincent Price, Alan Arkin.

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