27 de nov de 2011

Série: The Walking Dead – 1ª Temporada (2010)


por Luiz Santiago


ATENÇÃO: O texto contém spoilers. Caso não tenha visto a temporada, não recomendamos a leitura.


          A série The Wlaking Dead estreou nos Estados Unidos no dia 31/10/2010, pela AMC, e em pouco tempo se tornava uma sensação nas programações televisivas pelo mundo. Baseada na graphic novel de Robert Kirkman, Tony Moore e Charlie Adlard, e desenvolvida para a televisão por Frank Darabont (diretor de Um Sonho de LiberdadeÀ Espera de Um Milagre e Cine Majestic), a série de alto nível técnico e história instigante, é uma das mais bem cotadas séries da atualidade desde Lost (2004 – 2010).

          A história traz, em sua essência, as características principais dos quadrinhos, e não se propõe dar explicações sobre o apocalipse zumbi que aconteceu ao mundo, o que aumenta a carga de suspense e a possibilidade dos roteiristas trabalharem com novos dramas. Dessa estratégia narrativa, surge a coluna central da série, que nessa primeira temporada se coloca em pequenos conflitos a serem resolvidos imediatamente: o despertar de Rick no hospital, a chegada a Atlanta, o refúgio no tanque do Exército, o reencontro com a família, e a chegada do grupo ao CDC, no último episódio – aliás, um acontecimento que não existe nos quadrinhos. Esse formato de “conflito – resolução – novo conflito” pode ser perigoso, como foi para Heroes, por exemplo, mas pelo menos até o fim dessa temporada funciona muito bem.

          Formada por um elenco praticamente desconhecido, portanto, sem apelo comercial nenhum, The Walking Dead conquistou os espectadores pelo alto nível de realidade adaptada à situação extrema de um apocalipse zumbi – uma característica de produção impecável adotada pelas emissoras estadunidenses, muito tempo depois de já ser algo comum para a BBC. O design de produção, os cenários, e a excelente maquiagem dos zumbis são alguns dos elementos de destaque em todos os episódios. A fotografia que transita na escala das variações do verde, cinza e marrom, é outro louvável acerto. Destaca-se também a edição abrupta em momentos decisivos de um conflito qualquer ou esgotamento da sequência dramática, uma ótima opção dos diretores e responsáveis pela montagem dos 6 episódios dessa primeira temporada.

          Como é de se esperar nesse tipo de produção caótica sobre o fim da humanidade do modo como a conhecemos, os valores morais e éticos são questionados e superados. Que leis permanecem em vigor em um mundo de zumbis, onde os poucos humanos vivos lutam para sobreviver? E a ameaça não é dos mortos-vivos, uma vez que muitos humanos optam pelo saque e pelo crime como forma de se manterem vivos, logo, poucos são confiáveis, e até que se prove o contrário, todo desconhecido é uma ameaça. Além da luta pela sobrevivência, há um forte apelo familiar na série. 

     Os laços humanos são valorizados como essenciais à vida, mas conflitos de interesses surgem nesse meio tempo, e temos aí as subtramas contidas em cada episódio. Talvez seja nesse ponto que a primeira temporada perca um pouco de força. A divergência de algumas visões e o caminho seguido para mostrar cada uma delas pode dar a algumas sequências uma característica de “trama de isopor”, ou seja, coisas que não possuem um valor efetivo e vital para a série. Mesmo assim, trata-se de uma temporada estável, com alto nível de qualidade e tensão garantidas para todos os espectadores. A primeira temporada de The Walking Dead faz jus à fama, e se coloca como uma das melhores produções do gênero já realizadas na TV nessa década.

          Abaixo, algumas indicações de referências contidas nos três primeiros episódios da temporada. Os episódios não citados são: Episódio 4: Vatos; Episódio 5: Wildfire e Episódio 6: TS-19.

Episódio 1: Days Gone Bye
Música: Space Junk
Referências: Extermínio (2002), O Massacre da Serra Elétrica (1974), O Exorcista (1973), A Noite dos Mortos Vivos (1968).

Episódio 2: Guts
Referências: Hogan's Heores (TV, 1965), Sem Lei Nem Alma (1957).

Episódio 3: Tell It to the Frogs
Referências cinematográficas: Sesame Street (TV, 1969), Num Lago Dourado (1981).




AVALIAÇÃO DA TEMPORADA: MUITO BOM.

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