24 de jul de 2011

Trindade Violenta



por Luiz Santiago


     Esse western de Rudolph Maté é um pouco incomum, por focar a trama principal na família e tê-la como motivo principal do enredo. Em outras obras de diversos diretores, a instituição familiar está como um fator indispensável, mas nesse filme, a abordagem é realmente familiar, e não digo que o resultado seja insatisfatório.

     Apesar de os conflitos externos serem o grande criador da atmosfera do western, é interessante assistirmos a uma obra que dê uma nova cor a isso. O conflito aqui não acontece apenas no campo dos inimigos (índios, ladrões, políticos corruptos ou colonos), mas também no campo familiar, com duas “frentes de combate”. A questão da honra não deixa de se fazer presente, e um pouco de romantismo dramático invade o oeste machista nessa obra.

     Em Trindade Violenta, os índios são apenas citados, e a burocracia e os burocratas são os vilões do Texas. A edição é o único setor do filme que não funciona a contento. Desde o ótimo começo, percebemos uma maneira estranha de organização dos planos, e convenhamos que muitos ângulos usados não são nada interessantes para a sequência. Fora isso, a ótima fotografia de Loyal Griggs e os sempre incríveis figurinos de Edith Head dão ao filme um maravilhoso visual. Lembramos um pouco das abordagens morais dos primeiros westerns dirigidos por Eastwood, e especialmente dos últimos dirigidos de John Ford. Trindade Violenta é um bom filme, mas não é um western exemplar. Penso que chamá-lo de drama-western seria mais apropriado e evitaria a condenação de fãs mais exigentes do gênero.


TRINDADE VIOLENTA (Three Violent People, EUA, 1956)
Direção: Rudolph Maté
Elenco: Charlton Heston, Anne Bexter, Gilbert Roland, Tom Tryon, Forrest Tucker, Bruce Bennett, Elaine Stritch, Barton MacLane, Peter Hansen.



FILME BOM. RECOMENDAMOS ASSISTIR.

Twitter Delicious Digg Stumbleupon Favorites More

 
Powered by Blogger