12 de mar de 2011

Palhaços assassinos do espaço sideral


por Luiz Santiago


     Um filme trash, B, ou cult possui características muito particulares, mas todos eles são guiados por um senso de ridículo impossível, doses de surrealismo, violência, sexo e amadorismo técnico e formal. Ao assistirmos a uma obra dessa estirpe, sabemos o que encontrar, e não raro, muitas gargalhadas acompanham a projeção da fita. No caso de Killer Klowns, clássico filme B dirigido por Stephen Chiodo, temos absolutamente todos os ingredientes básicos que acompanham os filmes B, exceto as falhas técnicas. Espantosamente bem dirigido, com todos os departamentos muito bem afinados, essa obra fantástico se revela esteticamente bem feita, como se fosse contra a crueza e primitivismo das produções do gênero.


     A história não poderia ser mais trash: uma cidade é invadida por palhaços alienígenas que algumas horas depois de estacionarem sua nave (uma tenda de circo), começam a matar os habitantes do local, envolvendo-os em um casulo de algodão doce. Pipocas mutantes e armas de pipoca, marretas de plástico, cachorro de bexiga e teatro de sombras são outras armas usadas por esses palhaços assassinos para darem cabo da cidade. O final do filme é um poço de “só em cinema mesmo”, com explicações ridículas para os sobreviventes e um desfecho inexplicado e incoerente, ou, em uma palavra, trash.

     Mas não se engane. A história do filme apenas segue a tendência básica do gênero, e é maravilhosamente engraçada e meio assustadora. Já o formato do filme merece comentários à parte. A direção de arte, os figurinos e a maquiagem são simplesmente fenomenais. O cenário específico, que é a nave dos palhaços assassinos, lembra um pouco alguns cômodos que vemos em Brazil, do Terry Gilliam. As roupas dos palhaços e as terríveis máscaras que usam dão mais medo do que o próprio filme. Killer Klowns não é um típico filme B, e dentre tantos elementos que podemos usar para dar sustentação a essa afirmação, está o uso da trilha sonora. Geralmente muito explorada nos filmes de terror, exploitation e afins, temos nesse filme uma adequação perfeita entre música e cenas, e mesmo os sons agregadores, como a musiquinha do carro do sorvete, compõem muito bem todas as sequências em que aparecem. Um dos momentos mais interessantes, nesse sentido, é quando há uma espécie de desfile com um “caminhão de recolher casulos humanos de algodão doce”. A música que acompanha aquela sequência caiu tão bem, que eu voltei inúmeras vezes o filme para apreciar melhor a sequência. A música tema do filme, executada pelo The Dckies, banda punk rock dos anos 1970, fecha com chave de ouro todo o produto.


     Killer Klowns é um clássico absoluto. O filme é bizarro e belo ao mesmo tempo, e por mais incrível que possa parecer, é tremendamente bem realizado. Uma peça rara dentre os filmes B dos anos 1980, um dos meus filmes preferidos, uma estranha mistura de horror, comédia, circo, surrealismo, e “trasheira cinematográfica”. Não podia ser melhor.


* Texto dedicado aos meus parceiros Kiesow e Pucinelli do blog A Terça Parte do Cinema.


PALHAÇOS ASSASSINOS (Killer Klowns From Outer Space, EUA, 1988).
Direção: Stephen Chiodo
Elenco: Grant Cramer, Suzanne Snyder, John Allen Nelson, John Vernon, Michael Siegel, Peter Licassi, Royal Dano, Christopher Titus, Irene Michaels, Karla Sue Krull.


FILME ÓTIMO. É IMPERDÍVEL ASSISTI-LO!

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