2 de fev de 2011

Chunhyang - Amor Proibido


Um único amor e uma quase tragédia

por Caroline Ferreira Amaral


     A maioria das pessoas espera que os romances tenham um final feliz. Mas, inevitavelmente, as trágicas histórias de amor acabam sendo, na grande maioria, mais marcantes. Mesmo antes de assistir Chunhyang: Amor Proibido, o próprio título e as inúmeras comparações com Romeu e Julieta nos fazem imaginar como acabará.

     O filme se passa na Coreia do final do século XVII, onde o filho do prefeito de Nawon, Mongryong, durante um passeio em busca de inspiração avista a bela Chunhyang, sendo informado por seu serviçal que ela é filha de uma cortesã, mas que havia sido criada como uma plebeia comum. O que aparentava ser uma conquista fácil, tornou-se um amor verdadeiro. Eles então se casam em segredo, pois eram de classes diferentes,o que seria motivo de desaprovação dos pais de Mongryong e acarretaria consequências.


     O jovem recebe a notícia da transferência de sua família para Seul e a impossibilidade de levar sua esposa consigo, prometendo a Chunhyang buscá-la assim que fosse aprovado em um importante concurso público. Os planos do casal são frustrados quando o novo prefeito da cidade exige que a moça seja sua cortesã. Segundo sua cultura, ela deve seguir a mesma carreira da mãe, mas se nega. Assina sua sentença ao escrever um ideograma que significava único amor e é severamente punida. Para o aniversário do prefeito, foi planejada uma grande comemoração, e o presente seria a execução da garota.

     Muito da cultura coreana é apresentada na obra. Esta é a adaptação de um dos contos mais famosos do país, sendo narrado por meio do pansori, um tipo de apresentação teatral composta por um único cantor e um percursionista. Im Kwon Taek faz questão de apresentar o pansori ao espectador, nos colocando sob o ponto de vista da plateia, e mostrando a reação da mesma. Muitas vezes também concilia a poesia recitada com cenas que a representam perfeitamente e a substituição da voz dos atores pela do narrador, artifício que causa um impacto emocional maior. Aspectos como a corrupção, abuso de poder, injustiça e o rígido sistema de castas são retratados, sempre acarretando cenas bem dramáticas.


     A fotografia e reconstituição da época são tão bem feitos que chegam até a encobrir alguns pontos negativos, como a atuação do casal principal, que não é convincente em algumas sequências. O filme estreou no festival de Cannes concorrendo a palma de ouro.

     Apesar das já citadas comparações com clássicos, o final chega a ser surpreendente. Apesar do roteiro melodramático, que nos convence que a história caminha para fins trágicos, se mostra uma exceção. Chunhyang nos deixa com aquela sensação de “e foram felizes para sempre”.


CHUNHYANG - AMOR PROIBIDO (Chunhyang,Coreia do Sul, 2000).
Direção: Im Kwon Taek
Elenco: Lee Hyo-Jung, Cho Seung-Woo, Kim Jung-Hun, Lee Jung-Hung


FILME BOM. RECOMENDAMOS ASSISTIR.

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