16 de ago de 2010

Rhythmus 21



por Luiz Santiago


   Hans Richter foi um famoso pintor dadaísta antes de se tornar diretor de filmes vanguardistas. Em sua fase pré-direção, aprimorou a experimental técnica da pintura em película para animação, desenvolvida em conjunto com outros dois grandes diretores do período, Walter Ruttman e Viking Eggeling. A obra cinematográfica de Richter explora muitos outros universos, mas sempre dentro de uma mentalidade experimental e, ou, fantástica.


   Rhythmus 21 (1921) foi o primeiro filme dirigido por Hans Richter, e a primeira parte da Trilogia Rhythmus, completa por Rhythmus 23 e Rhythmus 25. O filme é totalmente composto por figuras geométricas que mudam de tamanho, se transformam e se alteram em ritmos diferentes na tela, ao compasso de uma música. Para um espectador desavisado, não há sentido algum “naquilo”. De fato, o curta só passa a fazer sentido se o público apreciá-lo como uma manipulação das formas geométricas, manipulação empreendida por um pintor dadaísta que quis, com o cinema, formular um universo do ritmo musical. Só assim é possível entender e até gostar de Rhythmus 21¹.

   Movimento e música fazem as formas se alterarem e sucederem-se de maneiras diferentes. Ao ver essas mutações em tela, o espectador deve fazer funcionar um marcador de tempo pessoal para acompanhar a contento o sentido do filme – aliás, eis uma ótima experiência com a transcendência de sentidos possibilitada pelo cinema: o que de início parecia uma série de quadrados e retângulos, torna-se a representação gráfica do espaço-tempo hipnótico de uma música.


- A mesma observação se aplica à Sinfonia Diagonal (1924) de Viking Eggeling.


RHYTHMUS 21 (Alemanha, 1921). 
Direção: Hans Richter. 



FILME BOM. RECOMENDAMOS ASSISTIR.

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