18 de ago de 2011

O Planeta dos Macacos (1968)



por Ritter Fan

     Há muitos anos que não assistia ao clássico Planeta dos Macacos. Sobre as continuações, lembrava-me que tinha visto a segunda, chamada Beneath the Planet of the Apes e que não havia gostado. Sobre as outras três, apenas lembrava-me de relance.

     Pois bem, não tem muito tempo, em visita à Fox, sucumbi às compras na loja do estúdio e adquiri todos os cinco filmes em Blu-Ray, numa bela caixa especial com um livro dentro, por um preço substancialmente mais baixo que o preço já descontado da Amazon. Assim, não me restou outra alternativa que assisti-los, até mesmo em preparação ao vindouro Rise of the Planet of the Apesque estreou nos EUA no início de agosto com uma vitoriosa bilheteria de 54 milhões de dólares, 20 milhões a mais do que a própria Fox esperava. "Rise" estreia por aqui no dia 26 de agosto próximo.

     Seguem meus comentários sobre o primeiro, com SPOILERS, pois não creio que exista algum ser humano na Terra com minha idade (além dos 35) que não tenha assistido várias vezes ao menos o primeiro filme (se você não viu, sugiro que veja e depois leia a crítica). As quatro continuações seguirão essa semana ainda.


Planet of the Apes (O Planeta dos Macacos) - 1968

     Charlton Heston estrela esse filme dirigido por Franklin J. Schaffner, que pode ser considerado como um dos mais importantes da ficção científica, por ter popularizado o gênero e mostrando sua viabilidade econômica. O filme mistura de forma inteligente o sempre intrigante tema "viagem no tempo" com questões sócio-políticas bem contemporâneas (em 1968 especialmente, mas ainda bem presentes nos dias de hoje).

     Charlton Heston é Taylor, um dos quatro astronautas americanos que partiram para uma viagem à velocidade da luz. Ele é o último a entrar em animação suspensa. Quando acordam, estão em um planeta desolado, com a nave afundando em um lago. Eles descobrem que uma das astronautas morreu e os três restantes saem para explorar o mundo.


     Fica claro, nos primeiros 30 minutos de filme, que Taylor é um durão que escolheu participar da viagem para ficar sozinho. Não tinha nada na Terra que o prendia. Seus parceiros não são bem assim. Quando chegam em uma área de floresta, encontram humanos mudos roubando milho de uma plantação. Alguns momentos mais tarde, gorilas falantes, galopando cavalos, chegam para caçar os humanos.

     Um dos astronautas morre fuzilado. Taylor e seu último colega são capturados junto com vários outros humanos mudos. Taylor foi ferido na garganta e não consegue falar. Ao ser enjaulado para ser estudado pelos chimpanzés Cornelius (Roddy McDowall) e Zira (Kim Hunter), Taylor demonstra inteligência superior e logo desperta atenção. Em uma ótima perseguição, Taylor fala pela primeira vez sua mais famosa frase, para o espanto de toda a cidade de macacos: "Take your stinking paws off me, you damned dirty ape!"

     Com isso, ele vai a julgamento e os macacos sábios - orangotangos - resolvem fazer uma lobotomia em Taylor, de forma que ele não fale mais. Os tais orangotangos, liderados pelo Dr. Zaius (Maurice Evans), o Ministro da Ciência, ao mesmo tempo guardião da ciência e da religião (qualquer semelhança com o que acontece hoje em dia não é mera coincidência...), querem impedir que os humanos se utilizem de seus instintos violentos e destruam os macacos.

     Com o desenrolar do filme, descobre-se que os humanos desse planeta são todos primitivos e Taylor, em fuga ajudada por Cornelius e Zira, acaba se juntando à belíssima Nova (Linda Harrison). Obviamente, os humanos são caçados pelos gorilas, que fazem as vezes de polícia e de opressores.

     A comunidade formada pelos símios nada mais é do que uma comunidade que mimetiza a nossa, ainda que em escala bem menor. Eles consideram os humanos como serem primitivos que só servem para servir e serem estudados, nada mais.

     Ao fim de sua fuga, Taylor faz uma descoberta estarrecedora, que deve ter sido incrível em 1968 pois ainda é incrível hoje em dia, mesmo eu já tendo visto em esse filme uma boa quantidade de vezes: na verdade, em sua expedição espacial, Taylor não acabou em outro planeta mas sim na própria Terra, depois de ser catapultado para o ano 3.978 no futuro. Imediatamente vem à sua cabeça a explicação: os humanos se destruíram e a Terra foi dominada pela segunda espécie mais inteligente. Ele então grita de frustração e segue sua fuga.


     Como filme de ficção científica, O Planeta dos Macacos é perfeito. Tem questões intrigantes, viagem no tempo, revelações chocantes e efeitos práticos (as máscaras dos macacos) excelentes. Como crítica social, o filme também funciona perfeitamente. Na mesma linha que filmes de zumbi servem para deixar às escâncaras o consumismo e a maldade humana, O Planeta dos Macacos desvela o preconceito, nossa pretensa superioridade e outros defeitos de nossa sociedade. Na verdade, eu não esperaria algo diferente de um roteiro do mestre da ficção científica Rod Serling, que adaptou o livro do francês Pierre Boulle (o mesmo autor que, pasmem, escreveu A Ponte do Rio Kwai). É claro que, para isso, Serling não se despe completamente dos estereótipos (o humano incompreendido, o cientista bonzinho, os manipuladores e os opressores) mas que, dentro do conceito e da lógica do filme, acabam ajudando a trama.

     A atuação de Heston, cheio de caretas, parecendo um homem das cavernas, cumpre de maneira muito eficiente seu papel de contrastar a selvageria dos humanos e a delicadeza e inteligência dos chimpanzés Cornelius e Zira. Aliás, Roddy McDowall dá um show como Cornelius. As feições marcantes do ator são perfeitamente visíveis atrás da máscara de macaco e sua atuação é simplesmente irretocável.

     Outro ponto irretocável no filme é a marcante trilha sonora de Jerry Goldsmith que, mais tarde, seria muito bem emulada por outro mestre, Lalo Schifrin, na série de televisão que seguiu o quinto filme. Mas isso é coisa para outra crítica.


PLANETA DOS MACACOS (Planet of the Apens, EUA, 1968)
Direção: Franklin J. Schaffner
Elenco: Charlton Heston, ROddy McDowall, Kim Hunter, Maurice Evans, James Witmore, James Daly, Linda Harrison, Roberto Gunner, Lou Wagner, Woodrow Parfrey


FILME ÓTIMO. É IMPERDÍVEL ASSISTI-LO!

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