12 de jul de 2011

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004)


"Harry Potter 3" ou "A Sequência Inconsequente"


por Adriano de Oliveira


     O título da produção é "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", mas poderia bem ser "Harry Potter 3", muito mais apropriado. Afinal, esse terceiro volume em forma cinematográfica da série de J. K. Rowling difere muito pouco de seus antecessores, é produto franqueado, e como na grande parte das vezes em que isso acontece, surge pior que os anteriores.

     Não é interessante falar muito aqui da fábrica de sequências que o cinema, em particular o hollywoodiano, apresenta. Cada franquia tem seu âmbito e deve ser julgada independentemente. Não cabe aqui analisar se as continuações de "O Poderoso Chefão" foram melhores relativamente ao original e entre elas que as de "Rambo", por exemplo, e tampouco compará-las entre si. Será abordado desta vez somente "Harry Potter".

     O primeiro filme era eficiente, apresentava de maneira interessante os personagens transpostos do livro para a tela. O segundo, também dirigido por Chris Columbus, conseguiu dar continuidade e dimensionalidade para os papéis e o contexto, lutando bravamente contra um roteiro inóspito e sombrio. A terceira parte quebra o continuum do andamento da história, a partir de que os personagens perdem evolução e identidade. Problema do roteiro, possivelmente. Numa produção supervisionada pela autora da série, supõe-se que o diretor esteja bastante limitado a transcender o que é autorizado pelo script. E quando a história não ajuda, não há diretor que salve o filme. Alfonso Cuarón faz um trabalho que surge melhor que o de Columbus no manejo da câmera. A presente produção também supera as duas primeiras na excelente direção de arte e nos bons efeitos visuais. Mas apenas isso.


     Havia um temor de que, com a evolução natural da adolescência, os atores que interpretam os papéis centrais envelhecessem mais rápido do que os personagens que representam. Ocorreu o contrário: os personagens que precisavam evoluir estagnaram nas mãos do respectivo elenco e da direção.

     Comentar a trama do filme é uma tarefa inglória. Ninguém já suporta mais aquele chavão do "herói superqualificado que, por ser assim, é alvo da inveja dos maus e vítima de sombras de um passado obscuro". Muito menos "o vilão que se torna bonzinho" e sua contrapartida. Quando faltam de cerca de 40 minutos para o final da projeção, entram em cena reviravoltas em profusão para prender a atenção da plateia, em uma quantidade igual ou superior ao final de "Violação de Conduta". Não bastasse isso, os limites toleráveis dados pela razão do espectador à magia proposta pelo clima do filme acabam de vez quando a personagem Hermione (Emma Watson) invoca como solução para um fato que já ocorreu, um dispositivo chamado "vira-tempo", o que agride não somente a causalidade lógica e a não-ubiquidade, mas principalmente a paciência e a inteligência do espectador, seja ele criança, adolescente ou adulto. Por favor, mais respeito com o público, especialmente com o infanto-juvenil, que está em formação e precisa ver filmes e ler livros inteligentes.

     Tomara que o próximo produto da série seja realmente "Harry Potter e o Cálice de Fogo", e não um "Harry Potter 4".


* Texto originalmente publicado no Cine Revista em 02/06/2004



HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (Harry Potter and the Prisoner of Azkaban, 2004)
Direção: Alfonso Cuarón.
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Alan Rickman, Gary Oldman, Michael Gambon, Julie Christie, Emma Thompson, Maggie Smith.


FILME INSATISFATÓRIO. APENAS PARA FÃS INCONDICIONAIS DO GÊNERO.

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