22 de out de 2010

Bandidas


Cadê o alvo?

por Adriano de Oliveira


     Uma mistura de ZorroButch Cassidy e Robin Hood, uma dupla de protagonistas femininas de peso, produção de Luc Besson, orçamento polpudo, diretores estreantes a fim de mostrarem serviço. A fórmula do sucesso? Não, definitivamente. É o que se pode dizer após "sobreviver" a uma sessão de "Bandidas", tão sem direção quanto um disparo feito por uma pistola avariada, de mira estrábica. De fato, um filme que atira para todos os lados porque nunca diz a que veio. Como assinalou certa vez Otto Lara Resende: "tiro ao alvo sem alvo".

     Na verdade, um fracasso esperado. Besson, como roteirista e/ou produtor, tem errado a mão há tempo. Desde o ok "Beijo do Dragão" (2001), sucede-se uma pilha de filmes insatisfatórios, ao menos entre aqueles que ganharam as telas dos cinemas nacionais: "Carga Explosiva" (o primeiro e sua continuação), "Rios Vermelhos 2""Cão de Briga". Ainda não foi desta vez a ressurreição bessoniana.

     A pinta de que as coisas novamente não iriam dar certo foi quando se anunciou a direção de "Bandidas": os desconhecidos noruegueses Joachim Roenning e Espen Sandberg. Aqui, a falta de experiência foi maior que o excesso de entusiasmo. A inspiração diretiva é quase nula. Entretanto, dos culpados, esses são os menores. O argumento, de Luc e seu colaborador Robert Kamen, é fraco e pouco apetecível, ao dispor a história de duas mulheres muito diferentes, Sara (Salma Hayek) e Maria (Penélope Cruz), que se unem para empreender roubos a bancos a fim de vingarem seus pais e combaterem o representante de um banco americano (Dwight Yoakam) que está se apropriando injustamente de terras do povo mexicano - tudo isso em clima e época de faroeste. Ao longo da realização, clichês e sensação de "já visto" em pencas vão desgastando cada vez mais a pobre película.


     As atuações não são boas - nem o veterano Sam Shepard, em curta participação, se salva. Dwight Yoakam, como o mau americano Jackson, faz um dos vilões mais caricatos do cinema recente. Penélope Cruz, e principalmente Salma Hayek, duas sex symbols latinas em Hollywood, carregam nas tintas na tentativa de seduzir a platéia masculina: o resultado é visivelmente forçado. A opulência natural de Salma já seria,de modo automático, suficiente. E mais: não existe química razoável entre elas em si e com o personagem de Steve Zahn.
  
   Sobra ao menos a boa fotografia de Thierry Arbogast, que soube ler a cartilha da cinematografia dos faroestes e que, ao lado da direção de Arte, serve para dizer que a ambientação, por mais o roteiro tente estragar, é a pertinente para o tipo de filme.

     Mas é este um raro fato gratificante na fita, em meio a um oceano de desapontamentos. Basta também lembrar que "Bandidas" prima negativamente por se equivocar no tom cômico e por realizar, em um espantoso contra-senso, uma cena de bangue-bangue à la Matrix. Este foi o tiro de misericórdia.


Artigo originalmente publicado no Cine Revista.

BANDIDAS (idem, 2006)
Direção: Joachim Roenning e Espen Sandberg.
Elenco: Salma Hayek, Penélope Cruz, Dwight Yoakam, Steve Zahn, Sam Shepard.


FILME INSATISFATÓRIO. APENAS PARA FÃS INCONDICIONAIS DO GÊNERO.

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